Pesquisa 2016 - Resultados

Escrito por

Crescimento Profissional - Modelo: Andrea - Arte Digital: Henrique Vieira Filho

O coletivo SINTE - CRT, com o objetivo de identificar e atender às necessidades de seus Credenciados, em 2004 realizou a primeira grande pesquisa específica para nosso setor,  iniciativa esta reapresentada ao final de 2008, novamente, em 2012 e, a mais recente, agora em 2016.

 

Terapia Holística: Profissão Consolidada

O Perfil do Setor Por Meio da Análise Comparativa

Entre Quatro Pesquisas Nacionais Realizadas Em Doze Anos

Resumo:

SINTE - Sociedade Internacional de Terapia e CRT - Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística, objetivando identificar e atender às necessidades dos Profissionais Credenciados, em 2004 realizou a primeira grande pesquisa específica para nosso setor,  iniciativa esta reapresentada ao final de 2008, novamente, em 2012 e, a mais recente, agora em 2016.

Sem pretensões de precisão científica, esta publicação divulga as estatísticas comparadas entre as quatro pesquisas, somando um intervalo de doze anos, incluindo comentários e ilustrações, possibilitando uma maior e real compreensão da nossa Profissão no Brasil, identificando erros e acertos pontuais, bem como o caminho a seguir para que a atividade que abraçamos ocupe o seu digno e merecido espaço na sociedade, com a consequente e justa remuneração aos que a exercem.

Introdução:

Em nossa área de atuação, o "sexto-sentido", a intuição, são justamente valorizados, no que se refere ao atendimento de nossos Clientes. Contudo, quando se trata de gerir o futuro da profissão como um todo, nossa Organização tem por dever valer-se igualmente de meios mais ortodoxos para melhor definir as decisões.

Quanto maior quantidade e qualidade de informações obtermos, tanto melhor serão as estratégias adotadas a maximizar a profissão, bem como mais eficientes serão as orientações transmitidas aos nossos filiados, os quais, municiados por fonte CONFIÁVEL (ou seja,  SINTE e CRT...), ampliarão cada vez mais o proveito em seus consultórios.

Manter um site na internet valoriza meu trabalho ? Alugar uma sala ou atender em casa ? Colocar um anúncio vale a pena ? Afinal, qual é o meu público alvo ? Devo manter meu formato atual de trabalho ou devo mudar algo ? Será que minha remuneração está na média do mercado ? Meu consultório está sub-aproveitado ? Sou só eu os outros colegas também estão na mesma situação ?

Estas e uma infinidade de outras perguntas, cujas respostas até então baseavam-se nas opiniões pessoais, tem agora a oportunidade de serem elucidadas pela imparcial matemática: graças aos milhares de participantes somados em todas as pesquisas, resultaram dados estatísticos capazes de espelhar com relativa precisão, como de fato está o perfil profissional e o mercado potencial em nossa setor.

Metodologia:

Os dados foram obtidos em especial por meio de Questinários disponibilizados aos Credenciados no ano de 2004 e, novamente, no final de 2008, igualmente em 2012 e. agora, em 2016, com uma média aproximada de 2500 participantes somados.

Os tópicos inclusos nas pesquisas focaram dimensionar o mercado (médias de atendimentos, de valores por consulta, poder aquisitivo), definir o perfil, tanto dos profissionais, quanto de seus Clientes, quantitativa e qualitativamente (faixa etária, grau de instrução, gênero, média de rendimentos, horários preferenciais, locais de atendimento, atividades paralelas, etc), detectar possíveis novas tendências e, em segundo plano, informações quanto aos meios de comunicação e equipamentos ao alcance dos Credenciados, para melhor decidir quanto às mídias e premiações educativas a serem desenvolvidas pela Organização.

As respostas foram sintetizadas em planilhas de percentuais, contendo colunas comparativas entre os dados obtidos em 2012 e 2016, incluindo a variação estatística, item a item, seguida de extrapolações textuais quanto à interpretação concreta das informações obtidas, bem como às possíveis consequências, conclusões e decisões práticas a serem empreendidas, coletivamente e individualmente.

Para melhor orientar a interpretação dos dados obtidos, foram igualmente consideradas pesquisas documentais e bibliográficas (correspondências, publicações, mídias e demais formas de contatos oriundas de nossos associados), o levantamento de opiniões através de reuniões com os demais colaboradores da organização e a observação direta pelo autor, Henrique Vieira Filho, com mais de 34 anos de atuação neste segmento.

Resultados:

Gráfico com a transposição em porcentagens relativas às respostas obtidas nos dois questionários, de 2012 e 2016, seguidos de coluna da diferença comparada.

1 - Para nosso estudo de viabilidade de nossos prêmios e materiais didáticos escolha uma ou mais opções abaixo quanto aos equipamentos que possui.

 

2012

2016

% Variação

       

Smartphone

8,90

13,76

54,61

DVD

34,01

19,52

-42,61

Computador / Notebook

49,58

42,38

-60,63

Tablet

6,67

13,33

99,85

       

2 - Você possui acesso a internet?

 

2012

2016

% Variação

       

Não

0,45

0,00

-100,00

Sim, mas a conexão é lenta

4,69

11,03

135,18

Sim, conexão 3G / 4G

16,54

11,72

-29,14

Sim, bandalarga

63,54

41,38

-34,88

 

3 - Qual o valor médio que você cobra por cada consulta sua?

 

2012

2016

% Variação

       

R$ 35 a R$ 75

31,51

26,60

-15,58

R$ 75 a R$ 150

49,30

48,94

-0,73

Acima de R$ 150

16,37

20,21

23,46

 

4 - Qual a quantidade de atendimentos semanais ?

 

2012

2016

% Variação

       

até 10 clientes

54,75

63,83

16,58

11 a 15

18,84

15,96

-15,29

16 a 30

14,26

14,89

4,42

mais de 30

8,27

1,06

-87,18

 

5 - Qual(is) local(is) que você realiza seus atendimentos ?

 

2012

2016

% Variação

       

Na própria residência

20,40

20,66

1,27

Consultório alugado

33,99

30,58

-10,03

Consultório próprio

18,84

24,49

29,99

Em domicílio

23,94

26,45

10,48

 

6 - Qual a faixa de horário de maior procura por atendimentos ?

 

2012

2016

% Variação

       

7h as 10h

8,80

8,51

-3,30

10h as 14h

10,92

13,83

26,65

14h as 17h

33,10

37,23

12,48

17h as 19h

28,70

20,21

-29,58

Após as 19h

15,85

18,09

14,13

 

7 - Seus ganhos com atividades econômica provêm?

 

2012

2016

% Variação

       

Só Terapia Holística

32,39

28,72

-11,33

TH + Outra Profissão

64,44

68,09

5,66

 

8 - Quanto ao agendamento e atendimento aos seus clientes escolha uma ou mais alternativas a seguir, sobre aos recursos de que dispõem

 

2012

2016

% Variação

       

Recepcionista/secretaria

10,04

9,13

-9,06

Telefone fixo

24,45

21,30

-12,88

Telefone celular

31,28

33,48

7,03

Internet

17,69

19,57

10,63

Computador

14,96

15,65

4,61

 

9 – Qual a porcentagem de homens e mulheres entres seus clientes?

 

2012

2016

% Variação

       

20% mulheres x 80% homens

3,7

5,32

43,78

40% mulheres x 60% homens

4,40

3,19

-27,50

50% mulheres x 50% homens

8,63

8,51

-1,39

60% mulheres x 40% homens

14,26

14,89

4,42

70% mulheres x 30% homens

22,36

21,28

-4,83

80% mulheres x 20% homens

44,73

45,74

2,26

 

10 – Qual a faixa etária predominante de seus clientes ?

 

2012

2016

% Variação

       

0 a 18 anos

0,53

0,00

-100,00

19 a 25 anos

2,29

4,26

86,03

26 a 35 anos

23,42

19,15

-18,23

36 a 50 anos

61,27

57,45

-6,23

51 a 65 anos

8,98

14,89

65,81

Acima de 65 anos

1,58

3,19

101,90

 

11 - Qual é o grau de instrução predominante de seus clientes ?

 

2012

2016

% Variação

       

1º grau

7,57

3,19

-57,86

2º grau

39,44

38,30

-2,89

superior

50,88

56,38

10,81

 

12 - Qual é a faixa salarial predominante de seus clientes ?

 

2012

2016

% Variação

       

até R$ 2000,00

19,89

27,66

39,06

R$ 2001,00 a R$ 4000,00

27,46

37,23

35,58

R$ 4001,00 a R$ 5000,00

23,77

13,83

-41,82

acima de R$ 5000,00

23,06

14,89

-35,43

 

Discussão:

 

Para melhor visualização das tendências estatísticas, os gráficos a seguir ignoram as opções nulas e/ou em branco. Na sequência, tópico a tópico será abordado, incluindo a interpretação dos dados.

 

Equipamentos:

Os dados evidenciam que a categoria percebeu a importância de atualizar os equipamentos, facilitando desta forma, as comunicações, estudos e lazer.

Em 2004, os Profissionais mostravam-se em grande defasagem, o que era um quadro preocupante, pois privava o acesso aos materiais de estudos mais completos e atualizados, todos voltados para exibição em DVDs e computadores.

Felizmente, a pesquisa de 2008 mostrou um quadro totalmente renovado, onde o COMPUTADOR surgia em primeiro lugar, seguido de perto pelo DVD.

Essas informações, aliadas aos recursos de acesso à internet, possibilitam ao Profissional poder ampliar seus conhecimentos e atualizações via mídias economicamente acessíveis, tais como CDs, DVDs, tais como os que são desenvolvidos pelo CRT e SINTE em seus projetos de educação continuada, além de acompanhamento de aulas, artigos, pareceres, orientações, sejam por via escrita, ou áudio-visuais e mais uma infinidade de possibilidades que a rede mundial proporciona.

Já 2016 aponta uma tendência: a de “miniaturização” física dos recursos: tabletes e celulares inteligentes ampliaram sua participação, ao mesmo tempo em que diminuiu o uso de computadores. Tais fatores, aliados à ampliação da internet como ferramenta de consultório e do atendimento em domicílio de Clientes, indicam que a PORTABILIDADE dos equipamentos se mostra mais importante do que em anos passados.

A tendência em investir em novos recursos de comunicação e acesso projetam um futuro profissional no qual a categoria mantém-se em atualização contínua, ampliando assim as oportunidade de ser bem-sucedidos.

 

Acesso à Internet:

Em 2004, a internet era praticamente desconhecida dentro da Profissão. Quatro anos após, o quadro mudou radicalmente, com quase a totalidade possuindo acesso e ainda via conexões rápidas. Em 2012, a tendência continuou e, agora em 2016, comprova que acessar a internet é essencial para viabilizar a manutenção dos atendimentos.

Do ponto de vista prático, abre-se um leque sem precedentes de agilidade nas comunicações. Sem custos financeiros extras, além de coerentemente mais ecológica a troca de informações via internet evita gastos com papel (menos árvores sacrificadas), impressão (tintas poluentes...), transportes (emissões de carbono no ambiente...), além da agilidade quase instantânea às informações.

Desta forma, as principais e confiáveis fontes de informações, que são o CRT e SINTE, ficam a apenas "um clique" de qualquer consultório, seja pesquisando, seja trocando e-mails, lendo os Artigos, Pareceres, assitindo aos vídeos educativos... Isso se soma ao aproveitamento de tempo livre entre os atendimentos para aprofundar e atualizar estudos, acessando os diversos Projetos de Educação Continuada de nossa organização, tais como a CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística, o Projeto Holopédia (www.holopedia.com.br),Projeto Livroteca (www.livroteca.com.br), dentre outros.

Paralelamente a tais benefícios, uma poderosa fonte de divulgação tornou-se finalmente viável. Ao invés de desvalorizar-se profissionalmente com sites e e-mails de marcas gratuitas, os Credenciados ao CRT podem usufruir dentre mais de uma dezena de "sobrenomes" exclusivos e específicos para NOSSA área, tais como:

 www.seunome.terapeutasholisticos.com.br e seunome@terapeutasholisticos.com.brwww.seunome.psicoterapeutas.com.br e seunome@psicoterapeutas.com.brwww.seunome.terapeutafloral.com.br eseunome@terapeutafloral.com.br; etc). 

Uma vez com "endereços fixos" na internet, com site e e-mail personalizados, de imediato os serviços do profissional tornam-se localizáveis para milhões de Clientes potenciais de bom nível educacional e de poder aquisitivo, ampliando em muito o leque de oportunidades, compensando, inclusive, um fenômeno identificado em nosso setor, que é a contínua mudança de endereços fixos e de telefones para contatos.

 

Valor Por Consulta:

Os valores no gráfico estão em R$ (reais). Para extrapolarmos uma estimativa para a média geral, primeiramente arbitramos valores médios para cada faixa, e, para acima de R$ 150,00, por não haver "teto", optamos por um mínimo excedente. Multiplicamos cada faixa por sua respectiva porcentagem e dividimos por 100 a somatória, para atingirmos o honorário médio nacional por atendimento.

Em 2004, a média era de R$ 26,50 por atendimento, sendo que em 2008, pelos mesmos critérios, evoluiu para R$ 54,00. Isso implicou em um crescimento de 103,8%, perante uma inflação acumulada de 27,2% (IPCA) no mesmo período (aumento real de 76,6%).

Em 2012, atingimos o patamar médio de R$ 65,60, 22% de aumento em competição com um acumulado de 23,54% (IPCA), culminando numa pequena perda de 1,54%.

Agora, em 2016, a média por atendimento é de R$ 100,00, implicando em um aumento de 52,40% em quatro anos, sendo que o IPCA somado no mesmo período foi de 25,16%. Ou seja, a categoria conquistou um ganho real de 27,24 % acima da inflação.

De 2004 a 2008, a remuneração em nossa profissão cresceu em mais que o dobro da inflação do período. Em 2012, porém, uma pequena perda, agora mais do que compensado, com os resultados de 2016.

Desde a primeira pesquisa, realizada faz doze anos, o rendimento financeiro médio de nossos Profissionais vem crescendo continuadamente e acima da média geral para o Brasil.

 

Atendimentos Semanais:

De modo similar aos critérios descritos no quadro anterior e projetando de semanal para mensal, obtivemos para 2004 a média de 48 atendimentos ao mês, sendo que para 2008, este valor ficou em 39 e em 2012, passou para 47, voltando aos patamares iniciais da primeira pesquisa.

Já para 2016, os dados projetam 40 atendimentos ao mês. praticamente reproduzindo o apresentado em 2008, o que implica em uma diminuição de 14,89%.

De 2004 para 2008, a relativa redução quantitativa do número de atendimentos foi amplamente compensada pela grande elevação do valor médio praticado por cada consulta.

Já de 2008 para 2012, a média do valor de consulta levemente abaixo do índice inflacionário, teve que ser mais do que compensado, com significativo aumento da quantidade de atendimentos, que resultou em um aumento do rendimento mensal bem acima dos índices do período.

E, de 2012 para 2016, o ganho real no valor de cada atendimento, compensou a diminuição quantitativa da Clientela.

A análise comparada das quatros pesquisas, nestes doze anos, apresenta um quadro oscilante, mas com tendências em se autorregular:

Em 2008, nossos Credenciados estavam atendendo menos Clientes, porém, somando mais ganhos do que em 2004 ! Era uma situação fora do comum, ao compararmos com o que ocorre nas demais Profissões, já que a grande maioria nem sequer conseguiu acompanhar a inflação do período.

Na pesquisa de 2012, o rendimento continuou a evoluir acima dos índices inflacionários, porém, às custas de uma leve perda no aumento do valor médio por atendimento, compensando com um grande aumento no número de consultas.

Para 2016, o ganho real do valor médio por atendimento, praticamente equivale à compensar a diminuição quantitativa da Clientela.

Multiplicando a média de atendimentos pelo valor mediano para cada consulta, chegaremos a um rendimento mensal de R$ 1.272,00 em 2004, que evoluiu para R$ 2.106,00 /mês em 2008. Um aumento de 65,6%, confrontando com 27,2% de inflação somada no mesmo período (38,4% acima da inflação).

Em 2012, atingimos a média de R$ 3.083,20, um aumento de 47% em 4 anos, confrontando 23,54% inflacionários, implicando em um ganho real de cerca de 23,5%.

Com os dados de 2016, conclui-se por uma renda média, com Terapia Holística, de R$ 4.000,00 / mês, implicando em 29,74% de acréscimo, com ganho real de 4,58% acima da inflação, quer teve IPCA acumulado em 25,16%.

A diminuição da QUANTIDADE de atendimentos, agregada a um aumento de rendimentos, implica em ganho de QUALIDADE tanto para o profissional em si, quanto para os Clientes.

Melhor remunerado, com mais tempo livre, com melhores recursos à sua disposição (como observamos no tópico "Equipamentos" e "Acesso à Internet", o Profissional tem a oportunidade de dedicar-se ao seu aperfeiçoamento e, com isso, maximizar seus resultados e, consequentemente, satisfazer a Clientela, mantendo-a e, até mesmo, ampliando.

 

Locais de Atendimentos:

Este é um dos tópicos que as pesquisas evidenciaram uma possível queda na qualidade, voltando quase aos patamares de 2008.

O custo dos imóveis, seja para aquisição, seja para alugar, é fato que supera a inflação acumulada. Os aluguéis subiram em média 33,32% (8,16% acima da inflação), praticamente o mesmo aumento para a compra de imóveis (além das dificuldades em se obter financiamentos...), somados a reajustes nas taxas, impostos  e despesas que recaem sobre os mesmos (IPTU, taxa de lixo, contas de luz, água, condomínio e similares...). Nas grandes cidades, há o agravante do trânsito, que consome tempo, além de somar estresses e despesas de combustível.

Todo esse panorama torna tentador a retomada de um antigo  hábito amador em nosso setor: montar consultório na própria residência... Se à primeira vista parece uma boa alternativa, a longo prazo se mostra inadequado. Junto aos Clientes, causa a impressão de que não estão perante um profissional bem-sucedido, pois, via de regra, só atende na própria casa, quem não tem recursos para um consultório... E, perante a hipótese de não ser bem-sucedido financeiramente, de pronto se questiona se é tecnicamente eficiente ou não... E, gerando este tipo de dúvidas, os Clientes potenciais acabam por escolher outros profissionais que ostentem sinais exteriores de sucesso... Ainda que injusto, é  regra que a primeira impressão é a que fica.... E isso em todas as profissões. 

Paralelamente, soma-se à dificuldade em separar tempo e espaço quanto ao que é consultório, ao que é residência, misturando rotinas familiares com as profissionais, dificultando a necessária concentração e paz de espírito que os atendimentos de consultório exigem.

Esse quadro negativo pode ser esboçado se considerarmos, ISOLADAMENTE, o aumento de profissionais que passaram a atender nas próprias residências.

Por outro lado, se ampliarmos o espectro para todos os itens, veremos que um ligeiro aumento percentual de quem tem consultório próprio, com a diminuição quantitativa dos que alugam espaços.

Já um fato sem dúvida preocupante é o crescimento de quem atende em domicílio, opção que a prática comprovou ser altamente pejorativa. Diferentemente do fenômeno "home care" de outras profissões, onde o atendimento domiciliar se dá a "peso de ouro", justificado pelo deslocamento de verdadeiros consultórios sobre rodas, ricamente equipados (odontologia a domicílio, fisioterapia em casa, etc...), já em nossa profissão, via de regra, quem atende na casa do Cliente é porque não tem um local adequado. Ou seja, apresenta sinais exteriores de estar mal-sucedido, o que reflete diretamente no valor que consegue agregar por atendimento, que costumam estar bem abaixo da média do mercado.

 

Horários de Atendimentos:

No decorrer estes dozes anos de pesquisas, houve uma significativa alteração nos horários preferenciais. Em 2004, a maioria era atendida durante o chamado "horário comercial", o que implica que os Clientes, ou exerciam atividades remuneradas com grande flexibilidade de horários, ou não estavam empregados e/ou trabalhavam nos afazeres de casa. 

Já em 2008 e 2012, ainda que a maioria ainda se mantenha das 14hs às 17hs, houve uma grande migração para os períodos já fora do horário convencional de trabalho.

Agora, em 2016, novo aumento no horário após as 19hs, onde se pode deduzir que a Clientela está exercendo mais agora do que antes, atividades que demandam compromisso de horário comercial, provavelmente, empregos convencionais, o que, se por um lado lhes limitam a disponibilidade de tempo, por outro, lhe possibilitam maior renda, e, por consequência, maior poder de arcar com os valores atuais de atendimento, bem mais elevados que os praticados nas últimas pesquisas. Esta hipótese é a mais provável, a considerar o aumento do rendimento da Clientela, conforme constatado igualmente por esta pesquisa.

Outrossim, não é de se destacar esta outra possível interpretação: a somatória ao trabalho de consultório, de empregos convencionais acumulados pelo próprio Profissional, já que este estudo igualmente detectou um aumento percentual dentre os colegas que possuem mais de uma atividade econômica, acrescida à de consultório. Se isto ocorrer, consequentemente, restará para atendimento, justamente os horários anteriores e posteriores ao período em que o Terapeuta Holístico dedica à sua outra profissão.

 

Fontes de Rendimentos:

Esta é uma pauta digna de estudos em separado. Historicamente, sempre houve  uma relutância em assumir a Terapia Holística como Profissão em especial, para os mais antigos no ramo. Muitas vezes assumida até como missão de vida, não raro sem cobrar pelos atendimentos, só nas últimas duas décadas é que as técnicas passaram a ser encaradas como uma opção de sustento financeiro e os consultórios se profissionalizaram.

Em 2004, as pesquisas mostraram uma grata surpresa, com o fato da maioria dos entrevistados ter a Terapia Holística como fonte única de rendimentos.

Já para 2008, um paradoxo: apesar dos rendimentos terem aumentado substancialmente, a maioria voltou a ter uma segunda Profissão, somada à de consultório.

As pesquisas de 2012 e 2016 igualmente apontam a tendência de somar-se outras atividades remuneradas ao exercício da Terapia Holística.

Paralelamente ao aumento da receita de consultório, houve redução do número de pessoas atendidas, o que implica em maior disponibilidade de tempo, que pode ser ocupado com outras atividades profissionais. 

O clima de incerteza e de crises internacionais também podem ter contribuído para gerar insegurança, induzindo aos entrevistados a que se garantirem com mais opções de renda e, desta forma, manter o padrão de vida.

Outrossim, considerando o crescimento de rendimentos com os consultórios, se a esse fato somou-se ganhos financeiros com uma segunda Profissão, implica que a categoria encontra-se com maior disponibilidade de investimentos, a serem aplicados em recursos de médio e longo prazo, como cursos, previdência privada e similares.

 

Recursos de consultório:

O aumento de rendimentos, aparentemente, não resultou necessariamente num incremento dos recursos para o consultório.

Por um lado, o investimento em informática foi o mais evidente, já boa parte passou a contar com computador em seus atendimentos. Já nos recursos humanos, foi o setor mais afetado negativamente, com a grande maioria dispensando os funcionários e esta tendência já vem sendo constatada desde 2012.

A diminuição da QUANTIDADE de atendimentos, ainda que perante um aumento de rendimentos, possivelmente tornou atraente a ideia de dispensar recepcionistas e, na ausência de quem atenda aos agendamentos, o telefone fixo migrou para o celular, passando ao próprio Profissional secretariar seus atendimentos.

Do ponto de vista do "marketing", é uma estratégia arriscada, já que transmite uma imagem de desorganização e pouco sucesso e esta primeira impressão certamente afasta novos Clientes potenciais, além de correr o risco de perder até os já conquistados, caso os agendamentos se tornem um processo moroso.

A ausência de consultório e telefones FIXOS cria insegurança para os Clientes, como se o Profissional ainda fosse um iniciante, já que não está "estabelecido", só podendo ser contatado diretamente e por celulares, como alguém que não possa ser LOCALIZADO. 

 

Perfil dos Clientes:

A tendência do gênero feminino predominar entre a Clientela consolidou-se se ainda mais, a partir de de 2004 a 2008, podendo quase generalizar que 80% das pessoas atendidas são mulheres. Este quadro permaneceu, em 2012 e, novamente, em 2016.

É de consenso entre os Profissionais, que o sexo feminino é mais aberto às propostas de autoconhecimento, bem como às linhas que buscam a manutenção e ampliação da QUALIDADE DE VIDA.

Até o momento, o público masculino, que via de regra só procura atendimento em situações emergenciais, parece não ter sido ainda conquistado pela Terapia Holística. É um desafio em aberto, a conquista desta significativa parcela da sociedade, que ainda não se mostrou tocada pelas atuais formas de divulgação dos benefícios das técnicas de abordagem holística.

A Faixa Etária da Clientela praticamente se manteve, nestes últimos doze anos, com predomínio absoluto de adultos, de 36 a 50 anos, ou seja, um público que. em tese, já tem satisfeitas suas necessidades imediatas, podendo agora dedicar-se ao bem estar, ao transcendente, à busca de maior qualidade de vida, que é a o principal foco da nossa Profissão.

Nota-se, na mais recente pesquisa, até mesmo um leve aumento na maturidade, com Clientes nas faixas acima de cinquenta anos. Podemos teorizar que pode até mesmo ser a fidelização da Clientela, que manteve os atendimentos, da pesquisa de quatro anos passados, para a atual.

Este perfil de Cliente padrão se consolida ainda mais, ao observarmos que a escolaridade migrou de 2o grau, para nível superior e que a faixa de rendimento  predominante DOBROU de valor de 2004 para 2008.

Já de 2012 para 2016, contudo, ainda que o nível de escolaridade tenha aumentado ainda mais, nota-se uma significativa queda de poder aquisitivo, por sinal, coerente com o quadro macro-econômico de nosso país, em queda continuada de PIB nos últimos anos.

Existe uma tendência à elitização da Clientela e, por consequência, o mesmo para os Profissionais, já que lidamos com um público esclarecido e, como tal, de elevado grau de exigência geral.

Nossos Clientes estão atentos, consciente ou inconscientemente, a todo e qualquer detalhe de nosso consultório e também, paralelamente a este. Mesmo diante de bons resultados, o impacto negativo de, por exemplo, perceber que o Profissional nem sequer usa recipientes especiais para descarte das agulhas de Acupuntura (consulte as NTSV - Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística e Anexos, disponíveis em www.sinte.com.br e na obra Tutorial Terapia Holística), pode levar o Cliente a procurar atendimento em outro local.

Um sanitário, ou uma recepção que não esteja impecável pode induzir a acreditar que em igual estado possa estar sua sala de atendimento... Um funcionário seu questionando a inadequação de salário na sala de espera pode levar a Clientela a duvidar de sua idoneidade... A ausência de registro nos órgãos de classe levantam dúvidas quanto à capacitação profissional... Que tipo de impacto causa em um Cliente defrontar-se com seu Terapeuta Holístico, um profissional da Qualidade de Vida, fumando, bebendo, alimentando-se inadequadamente ? Ou esse mesmo tipo de situação, protagonizada por seus colaboradores de consultório ? É importante observarmos que a boa ou má impressão que causamos é primordial para a decisão dos Clientes potenciais quanto à escolha do profissional e que a composição desta imagem extrapola os limites do atendimento em si, ampliando-se para todo o ambiente de trabalho e para além deste.

A Clientela se disponibiliza a investir financeiramente na Terapia Holística se o ganho em QUALIDADE DE VIDA se evidenciar, pois sentem que estão aplicando em bem-estar, autoconhecimento, maximização de seus potenciais como seres humanos.

De certa forma, este perfil de Clientela da Terapia Holística já poderia ser antevisto graças à teoria da Hierarquia das Necessidades, do psicoterapeuta Abraham Maslow, que é considerado um dos expoentes da corrente humanista e um dos pioneiros da corrente seguinte, a transpessoal . 

A "pirâmide de Maslow" é um gráfico didático que objetiva hierarquizar as necessidades humanas.

Ao pé da pirâmide estão as necessidades básicas, de sobrevivência, instintivas (necessidades fisiológicas) e no topo, as mais complexas (auto-realização).

1. Necessidades básicas: constituem o nível mais "baixo", no sentido de SOBREVIVÊNCIA e preservação da espécie: alimentação, repouso, abrigo, sexo, etc. Se alguma dessas necessidades não está satisfeita, ela determina fortemente a estrutura comportamental do homem.

Necessidades de segurança: uma vez satisfeitas as necessidades básicas, o indivíduo passa a ocupar-se com a estabilidade (trabalho, saúde, moradia..) e proteção contra ameaças ou privações.

2. Necessidades afetivas-sociais: assim que as necessidades básicas e de segurança encontram-se saciadas, assumem maior importância a socialização, amizades, sentimentos de grupo, família, relacionamentos...

3. Necessidades de auto-estima: auto-apreciação, autoconfiança, aprovação social, status, prestígio, autoconfiança, independência, autonomia e similares passam cada vez maior importância, assim que o indivíduo satisfez as necessidades classificadas anteriormente.

4. Necessidades de auto-realização: neste nível, o indivíduo já se dedica a desenvolver, ampliar e concretizar todo o seu potencial, autodesenvolvendo-se continuamente.

A teoria da hierarquia das necessidades parte de algumas premissas... Só quando um nível "inferior" está razoavelmente satisfeito é que o nível seguinte de necessidades assume importância maior. Porém, se uma necessidade de nível mais baixo voltar a ficar insatisfeita, ela volta a ser predominante, até a questão ser resolvida.

A "pirâmide de Maslow" é aplicada em muitos setores profissionais além da psicoterapia, tais como educação, administração, marketing...

Notem que a Terapia Holística tem foco predominante nas necessidades mais complexas, as do topo dessa "pirâmide". Daí resulta um certo elitismo da Clientela que atendemos, justamente aquela faixa da população que já teve suas necessidades básicas atendidas...

 

Conclusões:

 

Todas as decisões, inclusive as relacionadas com a carreira, convivem com um certo nível de incerteza, que podem ser minimizadas mediante o acesso aos máximo de informações confiáveis. Um dos objetivos de toda pesquisa mercadológica é tornar-se um instrumento facilitador para tomada de decisões, contribuindo para diminuir a incerteza e/ou influenciar a escolha de um curso de ação, auxiliando a identificar problemas e oportunidades.

A análise comparativa das pesquisas de 2004 e 2008 comprovou a maior profissionalização de nosso setor, do ponto de vista econômico: aumentou o valor recebido pelas consultas e, ainda que diminuída a carga horária, o resultado final foi um crescimento de 65,6% nos rendimentos da profissão, confrontando com 27,2% de inflação somada no mesmo período.

Já os estudos de 2012 e 2016, comparados, apontam para a mesma diminuição quantitativa de atendimentos (40 consultas ao mês => diminuição de 14,89%), compensada pela grande valorização dos honorários para cada consulta (R$ 100,00/média => aumento de 52,44%). Ao final, a média mensal de R$ 4.000,00 implicou em um aumento de 29,74%, em relação a 2012, com ganho real de 4,58% acima da inflação.

Os consultórios receberam investimentos em informática, porém, detecta-se um movimento contrário, de economia em bens intangíveis, tais como em recursos humanos e quanto à adequação dos locais de atendimento (diminuição significativa do número de recepcionistas, somada ao aumento de Profissionais atendendo em suas próprias residências e em domicílio dos Clientes).

Paradoxalmente ao aumento de rendimentos com os consultórios, mas coerentes com a diminuição da carga horária, de 4 anos para cá, aumentou significativamente a quantidade de Profissionais que possuem uma segunda profissão paralela.

O quadro geral implica em aumento de poder econômico dos Terapeutas Holísticos (somam os ganhos reais obtidos nos consultórios com a renda paralela da segunda Profissão), que resultou em investimentos em fontes de acesso à informação e de estudos, em especial, computadores com acesso rápido à internet, possibilitando manter-se à par rapidamente das informações de fontes fidedignas como o CRT e SINTE, bem como ao aperfeiçoamento continuado por meio dos cursos, matérias e estudos disponibilizados por nossa organização.

A ascensão a este novo patamar social igualmente facilitou a conexão com o público alvo preferencial, que é justamente a camada da sociedade que já teve suas necessidades primárias satisfeitas, em boa parte graças ao seu poder aquisitivo elevado, estando prontos a se dedicar à satisfação de anseios mais subjetivos, como a maior qualidade de vidaautoconhecimento e transcendência, justamente os focos profundos da Terapia Holística, principal fator diferencial de nossa atividade.

Para conquistar, manter e encantar o público alvo deste perfil de elevado grau de exigência, os Profissionais acertam ao investir em seu aperfeiçoamento continuado, cabendo, contudo, rever suas estratégias de investimento em seus consultórios, em especial à adequação de local e de recursos humanos, pois correm o risco de causarem uma primeira impressão ruim aos novos Clientes potenciais e de desgastar a relação com os que já atendem, caso decaia a qualidade dos fatores EXTRA terapia em si, tais como dificuldade de acesso ao local, ausência de recepção eficiente e humana e similares.

É fato que existe um verdadeiro abismo diferencial entre os verdadeiros Profissionais que são exatamente aqueles que se Credenciam ao CRT, que são participantes diretos deste estudo, daqueles que são amadores, que de tão inseguros que são quanto à profissionalização, nem sequer tentaram obter suas CRT - Carteiras de Terapeutas Holísticos Credenciados.

Perante o elevado grau de exigência dos Clientes potenciais, a própria lei de mercado se encarrega de retirar da Profissão os elementos despreparados, o que implica em ainda maior visibilidade e credibilidade à elite que são os associados ao CRT.

Desde 2012 e confirmado até o presente momento, a própria Organização vem detectando uma grande diminuição da QUANTIDADE de pessoas atuando na Profissão, paralelamente ao aumento QUALITATIVO do nível técnico e social dos que permanecem.

Para os não-Credenciados, a estimativa é a sua gradativa eliminação pelo mercado de Clientes potenciais, cada vez mais exigentes em sua busca por bons atendimentos.

Conquistar a CRT, estando assim compromissados com as normas éticas e qualitativas da organização, por si só, continua um excelente diferencial favorável a produzir este aumento de cerca de 30% nos rendimentos de consultório.

Se a isto somar-se à participação junto aos projetos de educação continuada do CRT e SINTE, que além de aperfeiçoamento e adequação técnicas e à legislação brasileira, incluem igualmente estratégias de Marketing para Consultórios, projeta-se um crescimento qualitativo técnico e de rendimentos ainda maior aos Profissionais referendados com a CRT - Carteira de Terapeuta Holístico Credenciado

Em suma, ainda que pese o caos da macroeconomia do país, as estatísticas confirmam o slogan de que A Terapia Holística É A Profissão do Século 21!

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    É com grande prazer que publicamos esta que é a 57a Edição Online da Revista TH, a Revista Oficial da Terapia Holística.

    Nossa capa ilustra o vasto mundo dos aromas, tema abordado no Artigo “Aromaterapia”, de Vanessa Macedo, que será uma das pautas de palestras no Holística 2018!

    Também sintetizam parte das demais palestras, os Artigos:

    Sincronicidade E Radiônica”, de Nilma Siqueira, “Um Mundo Sem Respostas”, de Jerônimo Oliveira.

    Os palestrantes Nelson Zuniga e Amim Haddad, nos brindam com os Artigos “Transmutando A Tristeza” e “Emoção E Sentimento”, respectivamente.

    Nossos votos de excelentes leituras e nos encontramos todos no Holística 2018!

     

    Henrique Vieira Filho
    Jornalista Responsável
    MTB 0080467/SP

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  • Drogas: Êxtase, Arte, Dependência E Terapia Drogas: Êxtase, Arte, Dependência E Terapia

     

    Tal somatória resulta na dissolução dos padrões rígidos da personalidade, permitindo contato direto ao conteúdo inconsciente. Os objetivos eram transcendentes, uma jornada "espiritual", "sagrada".

     

    Modernamente, a tradição ressurgiu nos festivais "hippies", inclusive, mantendo-se a busca pela transcendência.

     

    Até mesmo nas Artes Plásticas escreveu-se um capítulo relacionado, como obras pintadas sobre a influência do alucinógeno cipó  Ayahuasca, que teve seu expoente na figura do curandeiro peruano Pablo Amaringo, autor de milhares de telas, de uma das quais fiz a releitura que ilustra este artigo  (Title: Mistic Vision - Artist: Henrique Vieira Filho - 120 cm x 80 cm - Mixed media on canvas - Visions of La Purga by Pablo Amaringo - Revisited).

     

    Nos dias de hoje, temos as festas denominadas "raves", outrossim, sem um objetivo "espiritual" no contexto. Seja como for, o que se constata é um "padrão" que faz parte da história da humanidade e, certamente, merece ser analisado mais profundamente.

     

    Em nossos consultórios, ainda que parte integrante do contexto coletivo/social, o mais comum é que a questão das drogas chegue até nós, de forma individualizada, ou seja trazida pelo Cliente.

     

    A ausência de julgamento, seja positivo, ou negativo, é exigência fundamental em nosso trabalho e o foco é a PESSOA, em seu TODO. Ou seja, o uso das drogas seria mais um dos tópicos a serem trabalhados, visto que é inseparável dos demais.

     

    Devemos, em conjunto com o Cliente, descobrir as motivações, conscientes e inconscientes, que levaram a este padrão de comportamento. Seria uma busca religiosa ? Estaria abafando pensamentos, sentimentos, desejos, lembranças ? Auto-estima em baixa sendo compensada via comportamentos tidos como moda ?  Enfim, infindáveis hipóteses e cada caso é um caso, cada momento é único.

     

    Só o transcorrer da terapia pode trazer mais clareza sobre o que ocorre. E, paralelamente à análise, a inclusão de técnicas vivenciais, alternando relaxamento, hipnose, técnicas corporais de toque, respiratórias, renascimento, em suma, uma vasta gama de opções terapêuticas capazes de produzir estados alterados de consciência, sem uso de "aditivos".

     

    Os produtos consumidos nos dias de hoje, "refinados" quimicamente em laboratórios, certamente são muito mais danosos do que as poções milenares, que eram praticamente em estado natural.

     

    Daí que na sociedade moderna surge a alcunha de "dependente químico", aquele indivíduo perde o controle sobre o uso da substância, associado com sintomas de abstinência e tolerância, evitadas com o uso constante e cada vez maior, privilegiando o consumo a outras coisas que antes valorizava.

     

    Dentre os colegas de profissão, existe um grupo crescente que foca seu atendimento a este tipo de situação, quase como uma "especialidade", correndo o risco de perder o enfoque holístico e, o que é ainda mais grave, inadvertidamente ferindo a legislação, correndo o risco de prisão, sendo irrelevante à justiça humana se suas intenções eram nobres ou não.

     

    O CRT - Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística vem detectando um aumento de cursos para "terapeutas em dependência química" realizados em entidades religiosas e que ensinam de forma totalmente inadequada às leis brasileiras.

     

    Quando se trata de Terapia Holística, o trabalho deve focar no atendimento ao CLIENTE e não à "dependência química" em si, pois ao definir tal estado como sendo "doença" e vincular seu trabalho a esta questão, equivale a confessar crime de exercício ilegal de medicina, já que tanto o diagnóstico, quanto o tratamento de doenças são monopólios da classe médica, segundo as leis em vigor e jurisprudência (casos julgados)...

     

    Ou seja, ainda que não trabalhe com internações, quem definir seu trabalho desta forma, corre o sério risco de enquadrar-se em exercício ilegal de medicina...

     

    Extremamente preocupante é o fator "internação", muitas vezes propagandeada com mais um serviço prestado por estes colegas...

     

    Isto se deve porque, em várias escolas, fazem interpretações distorcidas, tentando justificar este procedimento, citando legislação que nem sequer mais existe (como é o caso da Lei nº 6.368, que foi REVOGADA pela Lei nº 11.343, de 23/09/2006) ou da Lei nº 10.216, cujo objetivo (dentro outros...) é justamente PROTEGER o cidadão para IMPEDIR que ele seja internado involuntariamente !!!

     

    Ou seja, é exatamente o OPOSTO da interpretação que muitos cursos divulgam !!!

     

    Nós sabemos que erram na boa fé, porém, nenhuma autoridade policial e/ou judicial aceitaria tal alegação...

     

    Conforme claramente expressa a lei, toda internação, até mesmo as voluntárias, dependem de um laudo MÉDICO PSIQUIÁTRICO; sem isso, estarão ferindo os direitos da pessoa em questão, além de cometer crimes de sequestro e cárcere privado, dentre outros possíveis enquadramentos...  

     

    Mesmo de posse do laudo médico, ainda assim, o estabelecimento precisará prestar "serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros"; sem tais requisitos, jamais a instituição poderá sequer candidatar-se a esse papel.

     

    Sabemos que muitos colegas trabalham como aprenderam nestas escolas, contudo, verdade seja dita, infelizmente tais cursos, ainda que talvez bem intencionados, ensinam de forma totalmente equivocada no que diz respeito a adequar-se às leis em vigor....

     

    Tudo isso pode ser evitado, simplesmente mantendo o foco naquilo que somos: TERAPEUTAS HOLÍSTICOS, os quais, por definição, jamais tratamos "doenças" (no caso, a dependência química...) e sim, cuidamos do indivíduo, em seu TODO, e, como tal, a questão das drogas, se trazida pelo Cliente, será mais um dos múltiplos aspectos a serem considerados e trabalhados, no transcorrer da Terapia.

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